Tapioca: comer ou não comer? Eis a questão

Apesar da tapioca ter se popularizado nas regiões mais ao sul do país há poucos anos, nas regiões Norte e Nordeste definitivamente não podemos dizer que esse é um “alimento da moda”. A tapioca (ou beiju) faz parte da cultura nordestina desde sempre e eu, como boa baiana, consumo desde que me conheço por gente.  Fato é: a tal farinha se popularizou como alimento da vez com o apelo de ser bom para a saúde principalmente pelo fato de não conter glúten.

Mas, como nem tudo são flores, o que vem se difundindo também é que a goma de tapioca possui muito carboidrato (muito messssmo) e estes são de altíssimo índice glicêmico (IG) – sim, é verdade, meus caros. Por conta disso muitas pessoas, principalmente aquelas que buscam o emagrecimento, passaram a excluir de vez esse alimento das suas dietas. CALMA LÁ, PESSOAL! Vamos raciocinar juntos, e descobrir que esse tipo de radicalismo não é necessário (acredito que nenhum é), mesmo para os que estão buscando perda de peso.

Em primeiro lugar vamos falar do conceito de PORÇÃO. Se você é do tipo que segue o que a embalagem da farinha de tapioca recomenda e faz o seu beiju com 100g de massa, PARE AGORA! (vocês já notaram que a embalagem de 500g diz na capa que rende 5 tapiocas, não é? rs). Em 100g de goma temos quase 60g de carboidratos – quantidade considerada muito alta para ser consumida em uma única refeição para alguém que objetiva o emagrecimento. Eu costumo recomendar e fazer a minha tapioca com pouco menos de 50g de massa (presente em 3 colheres de sopa da farinha), além de recheá-la fartamente com fontes de proteína e gordura (frango desfiado, atum, carne moída, queijos, manteiga, azeite de oliva, e o que mais de bom der na telha) – até porque, será o recheio o responsável por dar a saciedade.

Quando “misturamos” uma boa quantidade de proteína e gordura a uma fonte de carboidrato de alto IG  temos o grande benefício de reduzir a carga glicêmica da refeição, por isso não duvido que a minha tapioca fininha e bem recheada no final das contas tenha uma baixa a moderada carga glicêmica. E para aqueles que querem reduzir ainda mais a porção da tapioca na sua preparação, podem optar pela crepioca (1 a 2 colheres de sopa da farinha + 1 ovo inteiro) – essa mistura cria uma massa característica com ótima consistência, diferente da tapioca e do omelete, e fica ótima até como massa de “pizza”.

Além da porção que utilizamos na preparação, devemos nos atentar também à frequência com que consumimos a tapioca e qual o melhor momento para inseri-la. Por ter “muito” carboidrato (já vimos no parágrafo anterior que isso pode ser relativo), não é interessante consumi-la várias vezes ao dia (até porque, vamos combinar, quanto mais diversificada, melhor a dieta). E se fôssemos consumir apenas uma vez no dia, qual seria o melhor momento? Seja a tapioca ou qualquer outra fonte alta de carboidratos, considero o momento ideal para consumo o PÓS-TREINO.

Quando finalizamos um treino exaustivo o nosso corpo está ansioso para repor o estoque de glicogênio gasto durante o exercício, e por isso as chances de armazenarmos gordura devido à ingestão de carboidratos nesse momento é mínima. Além disso, comprovadamente o consumo de carboidratos depois da atividade física pode otimizar a síntese proteica (que levará ao ganho de massa muscular) e, aparentemente, carboidratos de alto índice glicêmico podem dar um melhor estímulo à hipertrofia muscular se inseridos neste momento. Por isso, se der vontade de comer uma tapioca mais grossinha, calce o tênis, faça um bom treino de força, volte e se delicie sem culpa! rs

Antes de “endeusar” ou excluir completamente da dieta qualquer alimento busque um nutricionista para saber como, quando e quanto inseri-lo na sua rotina sem que isso impeça-lhe de atingir o seu objetivo. Por fim, lembrem-se sempre: viemos a esse mundo para sermos felizes! Portanto, nada de radicalismos, por favor. 😉

Nutricionista especializada na área clínica e esportiva. Feliz em poder ajudar as pessoas a terem mais saúde e maior autoestima através de uma alimentação saudável, descomplicada e livre de mitos. CRN3 43939